terça-feira, 9 de abril de 2013

medo não existe

me assombra imensamente
a possibilidade do medo
realmente não existir
quando algumas coisas
me apavoram tanto e tanto
que chamo de tédio
o medo que espanta os dias azuis.

As linhas nas mãos de Niemeyer
de repente me chamaram mais atenção do que todos os prédios
brancos de Brasília
Em 100 anos envelhece mais uma mão ou um prédio?
A vida, um sopro
a mão, uma denuncia
o prédio, uma pedra em cima da outra
espaços para passar o vento, o sol, a pessoa passando sua vida
As mãos-projetos com sua pele já fina
o rosto manchado, olhando calmo
os prédios brancos permanecem
pessoas novas em seus vãos surgem
pessoas olhando por suas janelas
moramos nos prédios de modo diferente do qual moramos nos corpos
mal percebemos nossa casa primeira
a mão não mente o tempo que passa
a caneta traça
um projeto para todo sempre
que um dia também acaba
nem mesmo a pedra...
nenhuma pedra pretende-se eterna.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Musicados - Francisco


sábado, 2 de fevereiro de 2013

registros para saber lidar



vejo rostos na multidão e a descrição do monstro me tira o sono. queria mata-lo e perco a noite com essa dor que não falo pra ninguém. o menino já tá grandinho, poderia entender porque a mãe chora tanto. eu me sinto muito mal de não ter estado lá para protege-la. meu orgulho macho ferido por uma violência sem medida e eu nunca digo isso a ninguem.


meu deus, me pergunto, porque esse homem confia a mim esse segredo?

(e depois de algum tempo... sequer me lembro o nome dele ou seu rosto que poderia também se perder na multidão.)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Gosto de ver os cachos
voltando ao topo da minha cabeça
e a antiga cabeleira sem rumo
crescendo em volume
terá tempo de voltar a ser
a essência do que nasce
antes que a vaidade os derrote
No corpo surgem novas curvas
outros contornos
e a cada dia
e a cada noite
me olho e me estranho
me olho e me re-conheço
em toda essa mudança,
e nesses cachos que nascem
o que em mim permanece,
minha raiz
desde a infância.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A nova musa
é a cidade
morena de curvas
em um passar que faz o mar parar
e o seu olhar repousa nesse desejo.
Essa cidade na beira de um por do sol
no samba de fim de tarde
se propõe ser do momento
e sentar-se em frente ao cais.
Não precisa de sentido ou mensagem
para se compor uma homenagem
basta ver a beleza...
Sente saudade da natureza
do sonho da natureza
da ilusão de pescador
de ir sozinho
mergulhar bem fundo.
Mas abraça o concreto
senta-se em meio de tantos prédios
reclama da obra, da sobra.
E esse lugar em que habita
e que lhe fere a imagem bonita
tudo é sem muita razão
no excesso de verde que ela trás
e de amarelo também.
As vezes parece que fez dormir
o encanto
um beijo na testa
amor voando
quase como um pedido
mas amor não se pede.
Agora tão perto,
tão perto
ela não é tão bonita
nunca foi
nunca será a morena
não lhe cabe um poema.
E tudo que ela tinha
já entregou aos bocados
ela já fez sua parte
na vida nesse moço era só um refugio.
Mas agora forte e recuperado
com tanta ladeira e tanta curva
tanto chamego para se viver
injusto entrar em um elevador
que nunca o leva ao prazer.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Do bebê salada de fruta (ou da mamãe-mamão:P)

De tanto cultivar o nosso amor
Brotou em mim um feijão
Esse feijão me caiu como uma luva
De repente virou uma uva!
Ah, essa uva ninguém me toma!
E eis que vira uma azeitona!
A azeitona estava ali...
Nossa, já virou um kiwi!
O kiwi era tão bacana....
e que susto, já é meia banana!
Vou contar pro meu irmão...
E agora virou um limão!
Meu irmão e minha irmã
eis que vira uma maça!
E sem eira nem beira
cresceu até virar uma pêra
Ora bola,
virou uma carambola!!

(continua até virar uma melancia!)