quarta-feira, 26 de agosto de 2009

cenouras não choram
mas as cebolas as vezes são cruéis

sábado, 15 de agosto de 2009

Achado da mudanca 2

(E o ónibus vai... de Buenos aires a Bariloche!)


Ah, se eu soubesse fazer samba
sofria pela metade
colocava em cada verso
um pedaço da saudade

Se viesse a melodia,
um compasso, uma harmonia
eu te via desfilar.
A solidão vira alegria
A saudade, companhia
por ver você sambar

Ah, se eu soubesse fazer samba
Batucava essa dor
Colocava na cadencia
Tudo aquilo que restou

Se eu pudesse nesse instante
um desejo eu faria
sua dor aliviar
Eu chorava, você ria
você sonhava, eu vivia
dissolvia o seu penar

Ah se eu soubesse fazer samba
Matava sua vontade!
Vestida de alegoria,
conquistavas a cidade!

Se pudesse nesse instante
um desejo eu faria
quarta feira não chegar
O Carnaval eu te daria
Na avenida você ia
para o samba não acabar.

(Em parceria com minha mae, felix, lua e feu)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Quando amanhã anoitecer,
me acorda?
Me acorda como se fosse
pular direto na água
disposto a reviver cada pequena
célula - fagulha
disposto a mexer cada molécula
como se já estivesse no meio do pulo
da pedra alta
para a água gelada e viva
Mas me revive amanhã antes de anoitecer?
Entra como se fosse um sonho
Como se a criança ganhasse
nessa quebra de braço
de super e certo
Me balança só
no embalo da rede
no balanço mais leve do ar
direto para a vida
direto para o mundo
direto para a agua
como quem não hesita
antes da queda.
Como quem só cai
e não se preocupa
se vai cair
ou se vai voar.

Carona

Se me perco na avenida
acho uma rua de confete
de manhã cedinho...
bem cedinho
mas não tão cedo
Na ida uma multidão de adolescentes e all star
na volta o portão que engole todos eles
todos, indistintamente, de farda e sonhos
Os carros passavam e
virava carnaval o confete da rua perdida
Ontem desembarquei de navio
Onde deixei a inocência, mas trouxe a esperança
Você chorava tanto que achei que alguém tivesse morrido
A Lapinha parece de algodão doce...
"Quando eu morrer me enterre na Lapinha"
Enquanto eu viver olhos são motivo de verão
O café da manhã é cana de açúcar e pastel de nuvem
fica decretado, contanto que ela acorde feliz,
como se estivesse apaixonada:
- Hoje é feriado do dia azul na piscina antes do almoço.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O abismo de solidão era so meu
Eu não posso dividir o que nao se soma.
Se você soubesse onde joguei
meu corpo esses dias...
O mundo seria muito mais poesia...
Me parece inutil falar de qualquer dor
Mas minhas asas também são só asas
Meu voo rasante, rasgado
não foi bonito... mas me salvou.
Inuteis seriam palavras
Por mais sonora que fosse a lingua
Por mais bonita que fosse a boca da fala
Eu precisava de silencio
De silenceio de montanha no meio do metro
De passos no meu ritmo
Só isso
O nariz tem duas narinas
A boca tem dois lábios
O coração, muitas lembranças
Fui no fundo, fui no raso
Se voce soubesse...
Mas eu sou alegre e tiro foto e te conto a parte boa
A rua me preenche, meus olhos brincam
A alegria de rir vendo um pombo de moicano...
a melancolia pode ser ocre...
Mas o mundo entra colorido e eu deixo...
Pensei até que estava enlouquecendo
Quando caminhei da torre até o sagrado coração...
mas eu so queria andar... não tive medo... é como meditar.
olhos ébrios, sem uma gota de vinho nessa cidade
O romantismo nunca é inutil
mas pode ser perigoso
Eu tiro a roupa na frente da camera
Os pés tontos
Marcham até a cama
Eu fecho mais uma mala
Deixo os sapatos
na cidade...
Levo comigo os pés
e os caminhos gravados
deixo nas cartas
Se abre uma nova estrada.
Se voce soubesse...

sábado, 1 de agosto de 2009

Sobressalto!
é amor.
Não é como guernica
é só o retrato do artista
de uma mulher que pousa nua.
mas eu não via
para mim era confusão
e uma pomba, esperança talvez
devolveu minha paz de espirito
a explicação do título...
o samba entrou
e na cadencia de engano
respirei
aliviada

Um jardim no meio da manhã
Tomar sol na grama verde e ficar rosa
lendo o livro de capa vermelha
Crianças e cães
Pais e Mães
O museu de picasso tem janelas coloridas
Eu admiro seu auto retrato
Mesmo aquele meio frio, quase pálido
O inverno as vezes é duro para a alma
Quero tocar os instrumentos musicais que ele fez
de papel, de pano, de madeira e de metal
Os de vento também quero.
Quero me perder nesse cubo.
Nessas formas disformes
nessa mistura.
Enfim desço mais uma rua sem sentido
Vou no ritmo da brincadeira que invento,
da música que inunda os meus sentidos.
Sinal verde ou rua bonita?
A melhor foto do dia.
Desço mais uma vez
dobro mais uma esquina.