posso escrever uma linha sobre você?
vem aqui,
bem pertinho, vem
que te digo...
ops, era uma linha
mas vem seu cheiro
vem sua voz
sua pele
seu cabelo
vem seu jeito
e seu sorriso
que até esqueço de escrever
quando estou assim...
nessa historia que tem eu e tem voce
e que a gente escreve até mesmo sem escrever
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
ah, flor...
a vida já não cabe em caixas
vou com a roupa do corpo
mas ela vai voando, solta
uma sacola pequena
só para não ficar nua
ao ver a dança dos tecidos no varal
mas a nudez veio para alma
essa sim
sem pudor
se lança no mar
e sente a agua nos poros
e o sol na tête
mas
das caixas que brotam letrinhas pequenas, só
de cartas, bilhetinhos
daquele de amor de melhor amiga...
essas eu guardei, ali, quietinhas
dá certeza de viver, sabe?
sei que sabe... que sempre te respondi em tempo hábil.
já desinventei isso de caber todinha na mala
meus braços hoje me pediram gestos amplos
e hoje a noite a gente dança, a gente ri
e a gente brinda com as estrelas
a vida já não cabe em caixas
vou com a roupa do corpo
mas ela vai voando, solta
uma sacola pequena
só para não ficar nua
ao ver a dança dos tecidos no varal
mas a nudez veio para alma
essa sim
sem pudor
se lança no mar
e sente a agua nos poros
e o sol na tête
mas
das caixas que brotam letrinhas pequenas, só
de cartas, bilhetinhos
daquele de amor de melhor amiga...
essas eu guardei, ali, quietinhas
dá certeza de viver, sabe?
sei que sabe... que sempre te respondi em tempo hábil.
já desinventei isso de caber todinha na mala
meus braços hoje me pediram gestos amplos
e hoje a noite a gente dança, a gente ri
e a gente brinda com as estrelas
domingo, 13 de dezembro de 2009
A onda veio mansa, abraçando a Bacia das moças. Os carros passam alto mas não soam alto o suficiente para acordar a noite, não em plena madrugada. É que quando o sol dorme tranquilo, a noite passa lenta, deslizando suas mãos no rosto e nas costas. Ao lado iluminando todos os meus sonhos, só de saber, de coração cheio, o quanto ri e o quanto é inteiro para mim, só disso qualquer dúvida parece só um jeito disfarçado de pedir mais um beijo. E assim segue a correria dos dias, das ondas, dos carros, do disco voador que será lançado em maio próximo e segue a onda lenta que vem, contradizendo tudo e abraça a bacia das moças numa noite de domingo, enquanto cansada, agradeço por uma antiga nova casa e por um suspirar agora.
domingo, 22 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
rede-cama
a sua presença vem
colorida
vem com cheiro
vem com dor
vem com coragem
a sua presença não me deu um abraço
quando abri a porta
mas me deu um consolo
de chorar enquanto você dormia sem sono por perto
cansaço. sei bem.
chorei, de sentar no chão
a tristeza virou estado
e disso eu não sabia
era sempre um vento, passava rápido
e lá foram dias
mas você chegou
e eu chorei antes de você acordar
na sua frente só de modo discreto
colhendo os cacos da garrafa
acertada de longe pela almofada
eu quis tanto um quadro dessa moça
mas comprei o abajur
não tinha "peso" sufuciente
quebrou, paciência...
fiquei forte
eu não sei julgar
eu não sei dizer
de quem é a culpa
acho coisa boba sentir culpa da vida
acho coisa boba
a vida a gente enfrenta
eu entendo a sua mágoa
me esquivo de também sentir-la
e te escuto
falo absurdos, me desculpe
só queria mesmo
era que você soubesse
o quanto sinto sua falta.
mas passa
passa porque sei do amor também.
é só isso de se acostumar...
volte sempre.
colorida
vem com cheiro
vem com dor
vem com coragem
a sua presença não me deu um abraço
quando abri a porta
mas me deu um consolo
de chorar enquanto você dormia sem sono por perto
cansaço. sei bem.
chorei, de sentar no chão
a tristeza virou estado
e disso eu não sabia
era sempre um vento, passava rápido
e lá foram dias
mas você chegou
e eu chorei antes de você acordar
na sua frente só de modo discreto
colhendo os cacos da garrafa
acertada de longe pela almofada
eu quis tanto um quadro dessa moça
mas comprei o abajur
não tinha "peso" sufuciente
quebrou, paciência...
fiquei forte
eu não sei julgar
eu não sei dizer
de quem é a culpa
acho coisa boba sentir culpa da vida
acho coisa boba
a vida a gente enfrenta
eu entendo a sua mágoa
me esquivo de também sentir-la
e te escuto
falo absurdos, me desculpe
só queria mesmo
era que você soubesse
o quanto sinto sua falta.
mas passa
passa porque sei do amor também.
é só isso de se acostumar...
volte sempre.
sábado, 17 de outubro de 2009
mãe,
quantos besouros nos levam pelos cabelos nas noites de insonia?
mãe,
qual a tabuada mais certa para a feira de empadas da quinta série?
mãe,
o roxo da minha perna nasceu de onde?
mãe,
você já vomitou choro?
mãe,
passa um dia, um dia só, sem ventar no seu rosto?
mãe,
quando você corre, sua dor dissolve?
mãe,
de quantos cata ventos era feita aquela estrada de gira-sóis?
mãe,
quando cala a noite o bumbo do seu peito te nina ou também dorme?
quantos besouros nos levam pelos cabelos nas noites de insonia?
mãe,
qual a tabuada mais certa para a feira de empadas da quinta série?
mãe,
o roxo da minha perna nasceu de onde?
mãe,
você já vomitou choro?
mãe,
passa um dia, um dia só, sem ventar no seu rosto?
mãe,
quando você corre, sua dor dissolve?
mãe,
de quantos cata ventos era feita aquela estrada de gira-sóis?
mãe,
quando cala a noite o bumbo do seu peito te nina ou também dorme?
aprender o caminho
principalmente do tempo
e do acordar do corpo
faz calor mesmo na primavera
rego as plantas
como quem dá banho de mangueira nos filhos pequenos.
trinta graus em cima da árvore
venta na folha verde
cai a jaca na cabeça do chão que não morre.
uma flor é uma flor
uma flor é uma flor e seu cheiro
uma flor é uma flor e sua cor.
uma flor é uma flor...
o que ela me causa,
ai já sou eu.
principalmente do tempo
e do acordar do corpo
faz calor mesmo na primavera
rego as plantas
como quem dá banho de mangueira nos filhos pequenos.
trinta graus em cima da árvore
venta na folha verde
cai a jaca na cabeça do chão que não morre.
uma flor é uma flor
uma flor é uma flor e seu cheiro
uma flor é uma flor e sua cor.
uma flor é uma flor...
o que ela me causa,
ai já sou eu.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
tira a maquiagem dormida
de ontem
e o rosto envelhece assim
pouco importa
para quem dorme no sofá
e nem percebe que dormia
para todas nós que estamos
ganhando anos em dias
(isso passa)
não sabe mais como chegou na cama
mas as cinco tira a maquiagem
escova os dentes, bebe água, toma remédio
molha as plantas de novo
e de novo
sem medo de afoga-las
mas não é como recompensa pelo dia anterior sem agua
é só por cuidado
sente o sol nascer mas de olhos fechados
uma mariposa no alto do armário
assustadora e inofensiva
lembra da arrevoada de mariposas
trazida em novembros antigos
Pede educadamente que a mariposa
deixa de ser mancha no seu ármario branco
mas ela não obedece
e ela mata a mariposa
como se sua vida fosse mais importante.
de ontem
e o rosto envelhece assim
pouco importa
para quem dorme no sofá
e nem percebe que dormia
para todas nós que estamos
ganhando anos em dias
(isso passa)
não sabe mais como chegou na cama
mas as cinco tira a maquiagem
escova os dentes, bebe água, toma remédio
molha as plantas de novo
e de novo
sem medo de afoga-las
mas não é como recompensa pelo dia anterior sem agua
é só por cuidado
sente o sol nascer mas de olhos fechados
uma mariposa no alto do armário
assustadora e inofensiva
lembra da arrevoada de mariposas
trazida em novembros antigos
Pede educadamente que a mariposa
deixa de ser mancha no seu ármario branco
mas ela não obedece
e ela mata a mariposa
como se sua vida fosse mais importante.
sábado, 5 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
Achado da mudanca 2
(E o ónibus vai... de Buenos aires a Bariloche!)
Ah, se eu soubesse fazer samba
sofria pela metade
colocava em cada verso
um pedaço da saudade
Se viesse a melodia,
um compasso, uma harmonia
eu te via desfilar.
A solidão vira alegria
A saudade, companhia
Só por ver você sambar
Ah, se eu soubesse fazer samba
Batucava essa dor
Colocava na cadencia
Tudo aquilo que restou
Se eu pudesse nesse instante
um desejo eu faria
sua dor aliviar
Eu chorava, você ria
você sonhava, eu vivia
dissolvia o seu penar
Ah se eu soubesse fazer samba
Matava sua vontade!
Vestida de alegoria,
conquistavas a cidade!
Se pudesse nesse instante
um desejo eu faria
quarta feira não chegar
O Carnaval eu te daria
Na avenida você ia
para o samba não acabar.
(Em parceria com minha mae, felix, lua e feu)
Ah, se eu soubesse fazer samba
sofria pela metade
colocava em cada verso
um pedaço da saudade
Se viesse a melodia,
um compasso, uma harmonia
eu te via desfilar.
A solidão vira alegria
A saudade, companhia
Só por ver você sambar
Ah, se eu soubesse fazer samba
Batucava essa dor
Colocava na cadencia
Tudo aquilo que restou
Se eu pudesse nesse instante
um desejo eu faria
sua dor aliviar
Eu chorava, você ria
você sonhava, eu vivia
dissolvia o seu penar
Ah se eu soubesse fazer samba
Matava sua vontade!
Vestida de alegoria,
conquistavas a cidade!
Se pudesse nesse instante
um desejo eu faria
quarta feira não chegar
O Carnaval eu te daria
Na avenida você ia
para o samba não acabar.
(Em parceria com minha mae, felix, lua e feu)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Quando amanhã anoitecer,
me acorda?
Me acorda como se fosse
pular direto na água
disposto a reviver cada pequena
célula - fagulha
disposto a mexer cada molécula
como se já estivesse no meio do pulo
da pedra alta
para a água gelada e viva
Mas me revive amanhã antes de anoitecer?
Entra como se fosse um sonho
Como se a criança ganhasse
nessa quebra de braço
de super e certo
Me balança só
no embalo da rede
no balanço mais leve do ar
direto para a vida
direto para o mundo
direto para a agua
como quem não hesita
antes da queda.
Como quem só cai
e não se preocupa
se vai cair
ou se vai voar.
me acorda?
Me acorda como se fosse
pular direto na água
disposto a reviver cada pequena
célula - fagulha
disposto a mexer cada molécula
como se já estivesse no meio do pulo
da pedra alta
para a água gelada e viva
Mas me revive amanhã antes de anoitecer?
Entra como se fosse um sonho
Como se a criança ganhasse
nessa quebra de braço
de super e certo
Me balança só
no embalo da rede
no balanço mais leve do ar
direto para a vida
direto para o mundo
direto para a agua
como quem não hesita
antes da queda.
Como quem só cai
e não se preocupa
se vai cair
ou se vai voar.
Carona
Se me perco na avenida
acho uma rua de confete
de manhã cedinho...
bem cedinho
mas não tão cedo
Na ida uma multidão de adolescentes e all star
na volta o portão que engole todos eles
todos, indistintamente, de farda e sonhos
Os carros passavam e
virava carnaval o confete da rua perdida
Ontem desembarquei de navio
Onde deixei a inocência, mas trouxe a esperança
Você chorava tanto que achei que alguém tivesse morrido
A Lapinha parece de algodão doce...
"Quando eu morrer me enterre na Lapinha"
Enquanto eu viver olhos são motivo de verão
O café da manhã é cana de açúcar e pastel de nuvem
fica decretado, contanto que ela acorde feliz,
como se estivesse apaixonada:
- Hoje é feriado do dia azul na piscina antes do almoço.
acho uma rua de confete
de manhã cedinho...
bem cedinho
mas não tão cedo
Na ida uma multidão de adolescentes e all star
na volta o portão que engole todos eles
todos, indistintamente, de farda e sonhos
Os carros passavam e
virava carnaval o confete da rua perdida
Ontem desembarquei de navio
Onde deixei a inocência, mas trouxe a esperança
Você chorava tanto que achei que alguém tivesse morrido
A Lapinha parece de algodão doce...
"Quando eu morrer me enterre na Lapinha"
Enquanto eu viver olhos são motivo de verão
O café da manhã é cana de açúcar e pastel de nuvem
fica decretado, contanto que ela acorde feliz,
como se estivesse apaixonada:
- Hoje é feriado do dia azul na piscina antes do almoço.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
O abismo de solidão era so meu
Eu não posso dividir o que nao se soma.
Se você soubesse onde joguei
meu corpo esses dias...
O mundo seria muito mais poesia...
Me parece inutil falar de qualquer dor
Mas minhas asas também são só asas
Meu voo rasante, rasgado
não foi bonito... mas me salvou.
Inuteis seriam palavras
Por mais sonora que fosse a lingua
Por mais bonita que fosse a boca da fala
Eu precisava de silencio
De silenceio de montanha no meio do metro
De passos no meu ritmo
Só isso
O nariz tem duas narinas
A boca tem dois lábios
O coração, muitas lembranças
Fui no fundo, fui no raso
Se voce soubesse...
Mas eu sou alegre e tiro foto e te conto a parte boa
A rua me preenche, meus olhos brincam
A alegria de rir vendo um pombo de moicano...
a melancolia pode ser ocre...
Mas o mundo entra colorido e eu deixo...
Pensei até que estava enlouquecendo
Quando caminhei da torre até o sagrado coração...
mas eu so queria andar... não tive medo... é como meditar.
olhos ébrios, sem uma gota de vinho nessa cidade
O romantismo nunca é inutil
mas pode ser perigoso
Eu tiro a roupa na frente da camera
Os pés tontos
Marcham até a cama
Eu fecho mais uma mala
Deixo os sapatos
na cidade...
Levo comigo os pés
e os caminhos gravados
deixo nas cartas
Se abre uma nova estrada.
Se voce soubesse...
Eu não posso dividir o que nao se soma.
Se você soubesse onde joguei
meu corpo esses dias...
O mundo seria muito mais poesia...
Me parece inutil falar de qualquer dor
Mas minhas asas também são só asas
Meu voo rasante, rasgado
não foi bonito... mas me salvou.
Inuteis seriam palavras
Por mais sonora que fosse a lingua
Por mais bonita que fosse a boca da fala
Eu precisava de silencio
De silenceio de montanha no meio do metro
De passos no meu ritmo
Só isso
O nariz tem duas narinas
A boca tem dois lábios
O coração, muitas lembranças
Fui no fundo, fui no raso
Se voce soubesse...
Mas eu sou alegre e tiro foto e te conto a parte boa
A rua me preenche, meus olhos brincam
A alegria de rir vendo um pombo de moicano...
a melancolia pode ser ocre...
Mas o mundo entra colorido e eu deixo...
Pensei até que estava enlouquecendo
Quando caminhei da torre até o sagrado coração...
mas eu so queria andar... não tive medo... é como meditar.
olhos ébrios, sem uma gota de vinho nessa cidade
O romantismo nunca é inutil
mas pode ser perigoso
Eu tiro a roupa na frente da camera
Os pés tontos
Marcham até a cama
Eu fecho mais uma mala
Deixo os sapatos
na cidade...
Levo comigo os pés
e os caminhos gravados
deixo nas cartas
Se abre uma nova estrada.
Se voce soubesse...
sábado, 1 de agosto de 2009
Um jardim no meio da manhã
Tomar sol na grama verde e ficar rosa
lendo o livro de capa vermelha
Crianças e cães
Pais e Mães
O museu de picasso tem janelas coloridas
Eu admiro seu auto retrato
Mesmo aquele meio frio, quase pálido
O inverno as vezes é duro para a alma
Quero tocar os instrumentos musicais que ele fez
de papel, de pano, de madeira e de metal
Os de vento também quero.
Quero me perder nesse cubo.
Nessas formas disformes
nessa mistura.
Enfim desço mais uma rua sem sentido
Vou no ritmo da brincadeira que invento,
da música que inunda os meus sentidos.
Sinal verde ou rua bonita?
A melhor foto do dia.
Tomar sol na grama verde e ficar rosa
lendo o livro de capa vermelha
Crianças e cães
Pais e Mães
O museu de picasso tem janelas coloridas
Eu admiro seu auto retrato
Mesmo aquele meio frio, quase pálido
O inverno as vezes é duro para a alma
Quero tocar os instrumentos musicais que ele fez
de papel, de pano, de madeira e de metal
Os de vento também quero.
Quero me perder nesse cubo.
Nessas formas disformes
nessa mistura.
Enfim desço mais uma rua sem sentido
Vou no ritmo da brincadeira que invento,
da música que inunda os meus sentidos.
Sinal verde ou rua bonita?
A melhor foto do dia.
Desço mais uma vez
dobro mais uma esquina.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Na esquina da rua o vento varre as folhas,
amarelas.
A menininha de saia azul e blusa rosa
estica as maos, toca no vento e sorri.
A mae fecha o leque, agradece ao fresco da esquina.
A menina tem cabelo de milho, leve, voa.
Uma banda toca bob marley ali na sombra.
O cantor pula e suas tranças balançam.
O baixista abraça o baixo enorme, faz dele sua dama
e dança.
As moedas batem no chao.
Agradecem.
A filipina bebe agua, prende o cabelo e entra na fantasia de alien.
Fica dez graus mais quente, engolida pelo monstro
Cada moeda
amarelinhas como o sol, compensa.
O mesmo homem de ontem revira o lixo
Hoje está sem blusa, é gordo e tem halito de vinho
Tambem ganha suas moedas e algum pao.
A espanhola gorda entra na fantasia de ser ainda mais gorda
O estrangeiro tira uma foto e ela exclama
- Que guapa estoy!
Todos falam alto
Um ballet de bocas
Tantas linguas e bocas
Bonito de ver
linguas que fazem cocegas
O italiano, o espanhol e o frances
todos sao bonitos
mas so o grego me faz rir,
e parar para olhar suas palavras mudas
Gosto.
Viro a ultima esquina
fica tudo silencioso
ouço meus chinelos e o chao
Dois pés, pernas, maos,
impossivel me sentir sozinha.
O nariz, o umbigo e o coraçao
tudo tranquilo, manso e colorido
abro a porta da casa
fecho a mala
bebo agua e vou me despedir
de novo da cidade
Sento na grama da esquina.
amarelas.
A menininha de saia azul e blusa rosa
estica as maos, toca no vento e sorri.
A mae fecha o leque, agradece ao fresco da esquina.
A menina tem cabelo de milho, leve, voa.
Uma banda toca bob marley ali na sombra.
O cantor pula e suas tranças balançam.
O baixista abraça o baixo enorme, faz dele sua dama
e dança.
As moedas batem no chao.
Agradecem.
A filipina bebe agua, prende o cabelo e entra na fantasia de alien.
Fica dez graus mais quente, engolida pelo monstro
Cada moeda
amarelinhas como o sol, compensa.
O mesmo homem de ontem revira o lixo
Hoje está sem blusa, é gordo e tem halito de vinho
Tambem ganha suas moedas e algum pao.
A espanhola gorda entra na fantasia de ser ainda mais gorda
O estrangeiro tira uma foto e ela exclama
- Que guapa estoy!
Todos falam alto
Um ballet de bocas
Tantas linguas e bocas
Bonito de ver
linguas que fazem cocegas
O italiano, o espanhol e o frances
todos sao bonitos
mas so o grego me faz rir,
e parar para olhar suas palavras mudas
Gosto.
Viro a ultima esquina
fica tudo silencioso
ouço meus chinelos e o chao
Dois pés, pernas, maos,
impossivel me sentir sozinha.
O nariz, o umbigo e o coraçao
tudo tranquilo, manso e colorido
abro a porta da casa
fecho a mala
bebo agua e vou me despedir
de novo da cidade
Sento na grama da esquina.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
calle abajo
descem as vacas derradeiras
sao duas
e nao uma como me disseram
me sinto menos sozinha
passam a tarde bem no verde da montanha
se alimentam de flores também
dão leite
e fazem parte da paisagem
felicita faz queijo bom
felicita é nome feliz
Martiniano nao tem memoria mas ri
quando Felicita fala e toca
Nao é só paisagem
Como ri e como chora
Come sozinho
se mela um pouco
anda ¨de espacito¨
mas nao quer mais andar
Quando eu sopro bem baixinho o nome
lembra de felicita
que deixa as lagrimas cairem
- Ele lembra de mim
e esta tao guapo hoje
Lembrou de ti, Benjamin?
Ele é meu irmao
86 anos e nao tem uma ruga
A estrada é curta
mas pela vida passam gentis
esses Nunez nas montanhas
calle arriba e calle abajo
Daniel faz sons graves para as vaquinhas
respeitarem o pueblo
elas obedecem
e eu me sinto menos sozinha
descem as vacas derradeiras
sao duas
e nao uma como me disseram
me sinto menos sozinha
passam a tarde bem no verde da montanha
se alimentam de flores também
dão leite
e fazem parte da paisagem
felicita faz queijo bom
felicita é nome feliz
Martiniano nao tem memoria mas ri
quando Felicita fala e toca
Nao é só paisagem
Como ri e como chora
Come sozinho
se mela um pouco
anda ¨de espacito¨
mas nao quer mais andar
Quando eu sopro bem baixinho o nome
lembra de felicita
que deixa as lagrimas cairem
- Ele lembra de mim
e esta tao guapo hoje
Lembrou de ti, Benjamin?
Ele é meu irmao
86 anos e nao tem uma ruga
A estrada é curta
mas pela vida passam gentis
esses Nunez nas montanhas
calle arriba e calle abajo
Daniel faz sons graves para as vaquinhas
respeitarem o pueblo
elas obedecem
e eu me sinto menos sozinha
sexta-feira, 3 de julho de 2009
O mar se aninhou no seu colo
Aquela água toda até podia te afogar
Mas veio pequeninho
Um infante, quase frágil
inundado em lágrimas e sal
Veio onda
lambeu suas pernas
pediu seu aconchego
seu dengo, sua mão
E você alimentou o mar
com mamilos
como quem alimenta um filho
todo líquido na boca do mar
todo leite devotado.
E a onda que devasta
virou só agua vasta e plana
Calma.
Aquela água toda até podia te afogar
Mas veio pequeninho
Um infante, quase frágil
inundado em lágrimas e sal
Veio onda
lambeu suas pernas
pediu seu aconchego
seu dengo, sua mão
E você alimentou o mar
com mamilos
como quem alimenta um filho
todo líquido na boca do mar
todo leite devotado.
E a onda que devasta
virou só agua vasta e plana
Calma.
terça-feira, 30 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Na cidade sem mar
Queria te devolver meus cachos
Para você nadar em minhas ondas
E eu te dizer
ao pé do ouvido
Que eles nascem cacheados
Sim,
Hoje, confesso, ficaram sem voltas
Não importa o tempo
Não influi o vento
Se posso dormir ao relento
e pegar chuva... foi quase sem querer...
Mas quando nascem
Nasce do bom
Nasce do jeito que você gosta.
Queria te devolver meus cachos
Para você nadar em minhas ondas
E eu te dizer
ao pé do ouvido
Que eles nascem cacheados
Sim,
Hoje, confesso, ficaram sem voltas
Não importa o tempo
Não influi o vento
Se posso dormir ao relento
e pegar chuva... foi quase sem querer...
Mas quando nascem
Nasce do bom
Nasce do jeito que você gosta.
sábado, 20 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Divã
Me esconde os olhos da voz
Troca a posição
Me dá a janela para o mundo
Vira meus olhos para o mundo
Janela
Branca
árvores
céu de prédio
Livros
com imagens querendo sair da capa
Surrealismo
Palavras derramando
Palavras dançando
tango, salsa, mambo
Palavras no controle
objetos e sujeitos
sujeitos e objetos
Minha voz hesitante
Eu falo, eu escuto
eu danço sua dança
Alguém me guia
Sujeito, objeto
me deixo levar
e também me levo.
Me esconde os olhos da voz
Troca a posição
Me dá a janela para o mundo
Vira meus olhos para o mundo
Janela
Branca
árvores
céu de prédio
Livros
com imagens querendo sair da capa
Surrealismo
Palavras derramando
Palavras dançando
tango, salsa, mambo
Palavras no controle
objetos e sujeitos
sujeitos e objetos
Minha voz hesitante
Eu falo, eu escuto
eu danço sua dança
Alguém me guia
Sujeito, objeto
me deixo levar
e também me levo.
Semana passada ela esteve aqui. Estava quase igual. Trazia nas mãos uma velha carta que falava de um forasteiro, cerejas e coisas sem fim. Ela estava quase igual, exceto pelo fato que parecia pela primeira vez sentir medo. Me olhou com olhos fundos. Olhos de quem quer algum tipo de consolo mas que sabe que não pode ser assim tão a mostra. Ela então inventa um assunto e me pede uma xícara de chá. Eu digo, vamos, sente. Ela passa as mãos nos joelhos e finalmente as pousa na mesa. Um colher de açúcar. Desde quando bebe café? Da última vez ainda era muito nova para o café. Eu então bebo o seu chá. Desde quando tinha esse sorriso vazio no rosto? Ela então desata a falar qualquer bobagem e eu me distraio ouvindo a música de fundo que já quase não existe nela. É só um sopro, me parece. Talvez invente um ritmo, quem sabe, para ela dançar no muro...quem sabe para ela voar no abismo.
Assinar:
Postagens (Atom)