quarta-feira, 14 de julho de 2010

Buena Vista


Na frente
o palco
dos homens de classe
das mulheres de voz
de sons impecáveis
de ritmo aceso
de alegria nos gestos
Que no tom
perfeito,
ritmado,
exato,
faz,
na luz certa,
clima,
dança,
Cuba
Bahia
Aplaude.
Mas tudo só faz sentido
quando meu aplauso
é na sua mão...
Quando minha mão aplaude a sua
e mesmo hesitante
depois encaixo meus dedos nos seus dedos
retiro lenta para ter certeza
e se voce some...
um segundo passa no tempo da música
flui, clareando o escuro do palco longe,
meus olhos fitam voce voltando
acordam
na Buena Vista.
da janela trago a fumaça do trem
no instante impreciso rogo ao trem
mais uma parada
deixe meu irmão subir
cigarra que canta ciranda
que engana o caminho do não, da mão, da mãe
que não tem paz, que não tem pai
mas quatro irmãos
deixe minha irmã rir
sem que tenha que ser esplêndido o tempo todo
por que é simplesmente por ser
e deixe meu outro irmão nascer
que nesse mundo eu o abraço
quem quer que seja
quem quer que venha a ser.

terça-feira, 13 de julho de 2010

e se chover, mãe?
eu ando.
e se molhar, pai?
eu sou forte.
e se derreter, irmão?
eu faço música.


e pois,
eu ando por ai
com a força nos pés
ainda existe música em mim?
disso de não me ver mais em vocês...
eu nem sei mais.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Pulsão de vida e pulsão de morte aplicada ao caso concreto

Morto
Vivo
Morto
Vivo
O que te leva
de novo
a ter mulher
a ter dois filhos
Morto
Vivo
Morto
Vivo
Ah, se você
repete
símbolos
Vivo
Morto
Morto
Vivo
Ah, você fuma o charuto
Noite de chaminé
Vivo
Morto
Você faz
o que quiser
Morto
Vivo
Vivo
Morto
As vezes
eu também
preciso
te matar
para ficar viva.