quinta-feira, 30 de julho de 2009

e em um abraço imaginário
me aninho em seu peito
onde reina a calma
onde te escuto respirar
enfim,
durmo no aconchego
do travesseiro
que batizei com seu nome.
Na esquina da rua o vento varre as folhas,
amarelas.
A menininha de saia azul e blusa rosa
estica as maos, toca no vento e sorri.
A mae fecha o leque, agradece ao fresco da esquina.
A menina tem cabelo de milho, leve, voa.
Uma banda toca bob marley ali na sombra.
O cantor pula e suas tranças balançam.
O baixista abraça o baixo enorme, faz dele sua dama
e dança.
As moedas batem no chao.
Agradecem.
A filipina bebe agua, prende o cabelo e entra na fantasia de alien.
Fica dez graus mais quente, engolida pelo monstro
Cada moeda
amarelinhas como o sol, compensa.
O mesmo homem de ontem revira o lixo
Hoje está sem blusa, é gordo e tem halito de vinho
Tambem ganha suas moedas e algum pao.
A espanhola gorda entra na fantasia de ser ainda mais gorda
O estrangeiro tira uma foto e ela exclama
- Que guapa estoy!
Todos falam alto
Um ballet de bocas
Tantas linguas e bocas
Bonito de ver
linguas que fazem cocegas
O italiano, o espanhol e o frances
todos sao bonitos
mas so o grego me faz rir,
e parar para olhar suas palavras mudas
Gosto.
Viro a ultima esquina
fica tudo silencioso
ouço meus chinelos e o chao
Dois pés, pernas, maos,
impossivel me sentir sozinha.
O nariz, o umbigo e o coraçao
tudo tranquilo, manso e colorido
abro a porta da casa
fecho a mala
bebo agua e vou me despedir
de novo da cidade
Sento na grama da esquina.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

calle abajo
descem as vacas derradeiras
sao duas
e nao uma como me disseram
me sinto menos sozinha
passam a tarde bem no verde da montanha
se alimentam de flores também
dão leite
e fazem parte da paisagem
felicita faz queijo bom
felicita é nome feliz
Martiniano nao tem memoria mas ri
quando Felicita fala e toca
Nao é paisagem
Como ri e como chora
Come sozinho
se mela um pouco
anda ¨de espacito¨
mas nao quer mais andar
Quando eu sopro bem baixinho o nome
lembra de felicita
que deixa as lagrimas cairem
- Ele lembra de mim
e esta tao guapo hoje
Lembrou de ti, Benjamin?
Ele é meu irmao
86 anos e nao tem uma ruga
A estrada é curta
mas pela vida passam gentis
esses Nunez nas montanhas
calle arriba e calle abajo
Daniel faz sons graves para as vaquinhas
respeitarem o pueblo
elas obedecem
e eu me sinto menos sozinha

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O mar se aninhou no seu colo
Aquela água toda até podia te afogar
Mas veio pequeninho
Um infante, quase frágil
inundado em lágrimas e sal
Veio onda
lambeu suas pernas
pediu seu aconchego
seu dengo, sua mão
E você alimentou o mar
com mamilos
como quem alimenta um filho
todo líquido na boca do mar
todo leite devotado.
E a onda que devasta
virou só agua vasta e plana
Calma.