sábado, 28 de setembro de 2013


O amor fantasia ter no outro
um pedaço de corpo
para habitar
fora do próprio corpo.
meu pequeno,
o sol é aquela bola laranja subindo do mar
depois vira uma bola amarela e vai subindo no céu
então a gente não consegue mais ver e fica escuro
nasce a lua que é branca, dourada, as vezes prateada, as vezes cheia, as vezes sorrindo e as vezes tímida, se esconde
a lua também nasce do mar, mas você ainda não viu porque dorme cedo!
meu pequeno,
o mar, azul
as vezes verde
muitas vezes de várias cores
e de noite a lua pode refletir no mar
iluminar a praia
é tão bonito
mas a gente aproveita pouco a praia a noite
meu pequeno,
o céu também é azul, as vezes cinza
as vezes rosa, é de muitas cores
pois é pequeno...
entre o sol, o céu, o mar, a lua....
a gente também muda de cor


domingo, 8 de setembro de 2013

instinto

quando te trouxemos para casa
e na primeira noite você acordou desesperado de fome
te coloquei bem junto ao peito
não sabia muito bem como te segurar
estava escuro
eu ainda não tinha muito leite
mas você parou de chorar
olhei para você, ali tão pequeno
um bichinho, eu pensei
me senti um pouco bicho também
e conheci um novo tipo de amor.

cura

Existe amor quando existe toque
O reconhecer do outro se faz através da pele
No amor será urgente
Ao menos as vezes, ou quase sempre
Fundir-se em um só
Romper a barreira que separa a respiração
Ser enfim um ritmo
que finda calma e descanso

diálogo no escuro de um sonho que acorda

Você estava vivo e belissímo
vivo como quando ainda era um menino lobo
e seu coração batia forte no peito
vivo como as lembranças de você me permitem lembrar
eu descia uma estradinha de terra
e nossa faculdade não era um prédio azul
e sim um pomar
e o chão era de terra
e tinha acabado de chover
as plantas estavam felizes
e você talvez nem fosse você
mas parecia você com aquele seu velho sorriso
os cabelos estavam crescidos
parecia você...
daquele jeito de menino novo que se sentia velho
acordo e me assunto
já sou mais velha que você.
Queria enterrar meu coração bem perto da terra
E que dele saíssem raízes fortes 
Capazes de encontrar, no fundo da terra, o mar
Talvez reencontrar meu coração feliz
Uma imagem feita com amor
Se sentir amado talvez seja 
sentir um outro olhar para você e desse olhar se sentir vivo
Queria enterrar meu coração bem perto da terra
 para não precisar pensar em nada...
Apenas sentir raízes e sal
Queria enterrar meu coração muito jovem
bem jovem
Incapaz até de saber-se jovem...
Bem perto da terra, bem fundo o mar. 

Da beleza ser efêmera, sabemos de cor

Para o caminho do corpo que aprendi na escola
o próximo passo é morrer
mas me sinto viva
muito viva
uma primavera, certamente
para dentro floresço.
Para fora do corpo, todavia
me calo mundos
me perco
e da minha essência
em seus extremos
sinto culpa
uma culpa que me faz murchar
uma culpa cinzenta
e tão pouco concreta
que é incapaz de gerar movimento
só de discurso
uma dor que não muda meu dia
só me deixa sem cor