quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A nova musa
é a cidade
morena de curvas
em um passar que faz o mar parar
e o seu olhar repousa nesse desejo.
Essa cidade na beira de um por do sol
no samba de fim de tarde
se propõe ser do momento
e sentar-se em frente ao cais.
Não precisa de sentido ou mensagem
para se compor uma homenagem
basta ver a beleza...
Sente saudade da natureza
do sonho da natureza
da ilusão de pescador
de ir sozinho
mergulhar bem fundo.
Mas abraça o concreto
senta-se em meio de tantos prédios
reclama da obra, da sobra.
E esse lugar em que habita
e que lhe fere a imagem bonita
tudo é sem muita razão
no excesso de verde que ela trás
e de amarelo também.
As vezes parece que fez dormir
o encanto
um beijo na testa
amor voando
quase como um pedido
mas amor não se pede.
Agora tão perto,
tão perto
ela não é tão bonita
nunca foi
nunca será a morena
não lhe cabe um poema.
E tudo que ela tinha
já entregou aos bocados
ela já fez sua parte
na vida nesse moço era só um refugio.
Mas agora forte e recuperado
com tanta ladeira e tanta curva
tanto chamego para se viver
injusto entrar em um elevador
que nunca o leva ao prazer.



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