segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

eu quero te ver bonito
como no tempo de chuva
que brota a cor no verde
eu quero te ver bonito
como o amanhecer de uma gota
como o correr de um gato
como a lâmpada pequena, luz no canto da sala
que se acende e pisca - mas não passa a noite em claro
eu quero te ver bonito
como a pimenta que nasce
como a casa que o cheiro bom invade
como o caminho que se abre

domingo, 20 de novembro de 2011

oração

deus
que não existe
e que se existe
é maior que existir
o tempo que pergunta
tanta pergunta
é um tempo sem resposta

se olha, bem rapidinho
o passarinho
já fez um ninho
já viveu e já voou

o tempo que sobra
da nossa vida
para a mosca da fruta
é uma eternidade sem fim

ficar perto do abraço
ficar dentro do abraço
ficar sozinho um tempo, porque é bom
o mar, cheio de peixe,
também sabe a solidão do pescador.

Libras

Dos meus dedos
não sei muito
além de que terminam em unhas
cutucam coisas
entram em buracos
seguram anéis
Dos sinais
que alguns
contam
mais que histórias
toda uma língua
sem som, com palavra-mão

Palavra

Que língua teu corpo fala?
qual atitude da sua palavra?
qual caminho que te desbrava?
qual do passo é virtual, ancestral, caminho?
Que língua existe além do dia?
além da noite?
além do triste?
e do feliz?
e do dinheiro e
dos seus pés?
Para que correr mundo?
sem correr para dentro?
dançar uma nova língua
lamber a língua tua
inventar
mais do que a palavra
o silêncio que te diz.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

o homem
parado frente ao mar
não anseia o mergulho
e se anseia
não se molha
o homem fincado na areia
sal nos poros, grãos pequenos
o homem
parado em frente ao mar
sente o vento
sente muito
não ser um coqueiro.
como um coqueiro
que não espera o vento
que não anseia o mergulho
que não admira o mar
que apenas dá coco e
que o coco cai no chão
e as raízes engolem sal e sal e sal
como um coqueiro verde,
em uma tarde de sonolencia
que não sente sono em seus cem anos de sono
acordado e dormindo.
o coqueiro medita.