Parece ontem-longe
uma varanda
em cima nuvem
nuvem nuvem
naquele vento
da janela para a areia
a ampulheta de um tempo
que
não fazia questão de passar
mas passava
em cabelos que crescem e são cortados
em unhas que crescem e são ruídas
em rugas que nascem e não se pode fazer nada
as pessoas morem
Do seu coração, menino lobo
você me disse, nem me lembro
me disse muito do seu coração
até de exame você me disse
mas nem me lembro bem
veio outro assunto
mas ai você morre, você
vem e morre.
perdi o enterro e aos poucos perco as lembranças
quase não me lembro o que conversamos naquela varanda
quase não me lembro da paisagem
quase
quase, quase
porque de tudo
lembro
lembro que sinto saudade de você.