terça-feira, 8 de maio de 2012

Parece ontem-longe
uma varanda em cima nuvem
nuvem nuvem naquele vento
da janela para a areia
a ampulheta de um tempo
que não fazia questão de passar
mas passava em cabelos que crescem e são cortados
em unhas que crescem e são ruídas
em rugas que nascem e não se pode fazer nada
as pessoas morem
Do seu coração, menino lobo
você me disse, nem me lembro
me disse muito do seu coração
até de exame você me disse mas nem me lembro bem
veio outro assunto mas ai você morre, você vem e morre.
perdi o enterro e aos poucos perco as lembranças
quase não me lembro o que conversamos naquela varanda
quase não me lembro da paisagem quase
quase, quase porque de tudo lembro
 lembro que sinto saudade de você.