sábado, 9 de janeiro de 2010

da dança
do mar
do leão
de trás do vidro
a foto seria colorida?
como num dia de chuva?
a foto que nunca foi
nunca foi produzida
nunca, nunca foi
por bem
por mal
não foi
não será
custa, dói acreditar
custa, dói acreditar
ler e reler
revele
que tenha a chance de revelar
a verdade,
como numa foto
que fique clara
E tinha
tanto ballet de panos
varal
canto da estrada
em cima das casas
barquinhos pelo mar
lavadeiras
correr atrás daquela luz azul de começo de dia
aurora anunciada
por mais que o jornal diga
eu vi tanto santo,
eu vi tanto mundo
da sua lente
da sua boca tanta história
da infancia
do sertão
da serenata
eu ouvi tanto canto
é difícil acreditar
dói, dói
condenar o seu monstro,
ver o herói distorcido
eu não queria acreditar
mas me vem um vazio
como se tudo tivesse escapado
em um click
e fosse impossível rasgar a foto feia.

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