sexta-feira, 18 de março de 2011

a luz se entrega a gota
abraça
ar. cor. íris.
ri
reluz
pequena nas mãos
diamantes de água
não se pega na cor
no pote de ouro
mas se molha na chuva
e se colore por dentro

quinta-feira, 10 de março de 2011

o vento grita
a planta feita para o vento
nem balança
meus cabelos presos no topo
quase não sentem
mas as bonecas penduradas caem
e à intriga do apito
levanto e fecho as janelas
meus cabelos em névoa
pedem, solto
abro a porta da varanda
perto das plantas que sentem o vento
eu sinto
pimenteira
quer água
eu quero tempo
quero vento
o vento no rosto
só.

terça-feira, 1 de março de 2011

Calma
à estrelar
no céu da boca
calma
o que você não disse
me diz
o que você me disse
não diz
tudo, tudo, tudo
em um sorriso
e mar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

portocamba

saudade bruta
de agosto
quando sentava na mesa com ele
e cortava cerejas na ponta da faca
ele passava o café
que logo apitava
dava um gole
eu achava que podia descobrir o que ele queria
ele sempre me surpreendia
ele bebia iogurte
eu comia, comia
a gente dividia a casa
e tinha cuidado com as horas do dia
colocar a roupa no varal quando seca, ele ensinava
e comia sopa sem gosto
feita de caixinha e carinho
em agosto
as vezes, muitas vezes, ele ria
do meu amor desastrado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

menino lobo
que queria ser leve
qual o peso de uma lembrança alegre
me diz
que não me pesa essa saudade
apesar de todo pesar que me faz sentir

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

lua

parte de ir
é partir
e porque fica
ao menos um pouco
parte de ir
é ficar

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Na manhã que nasce calma
na sua pálpebra
planto um sonho
enquanto a música invade o quarto
junto a luz do dia
Na manhã que vem tão calma
na sua barba
planto um beijo
e desço o cobertor