sábado, 24 de outubro de 2009

rede-cama

a sua presença vem
colorida
vem com cheiro
vem com dor
vem com coragem
a sua presença não me deu um abraço
quando abri a porta
mas me deu um consolo
de chorar enquanto você dormia sem sono por perto
cansaço. sei bem.
chorei, de sentar no chão
a tristeza virou estado
e disso eu não sabia
era sempre um vento, passava rápido
e lá foram dias
mas você chegou
e eu chorei antes de você acordar
na sua frente só de modo discreto
colhendo os cacos da garrafa
acertada de longe pela almofada
eu quis tanto um quadro dessa moça
mas comprei o abajur
não tinha "peso" sufuciente
quebrou, paciência...
fiquei forte
eu não sei julgar
eu não sei dizer
de quem é a culpa
acho coisa boba sentir culpa da vida
acho coisa boba
a vida a gente enfrenta
eu entendo a sua mágoa
me esquivo de também sentir-la
e te escuto
falo absurdos, me desculpe
só queria mesmo
era que você soubesse
o quanto sinto sua falta.
mas passa
passa porque sei do amor também.
é só isso de se acostumar...
volte sempre.

sábado, 17 de outubro de 2009

mãe,
quantos besouros nos levam pelos cabelos nas noites de insonia?
mãe,
qual a tabuada mais certa para a feira de empadas da quinta série?
mãe,
o roxo da minha perna nasceu de onde?
mãe,
você já vomitou choro?
mãe,
passa um dia, um dia só, sem ventar no seu rosto?
mãe,
quando você corre, sua dor dissolve?
mãe,
de quantos cata ventos era feita aquela estrada de gira-sóis?
mãe,
quando cala a noite o bumbo do seu peito te nina ou também dorme?
aprender o caminho
principalmente do tempo
e do acordar do corpo

faz calor mesmo na primavera
rego as plantas
como quem dá banho de mangueira nos filhos pequenos.

trinta graus em cima da árvore
venta na folha verde
cai a jaca na cabeça do chão que não morre.

uma flor é uma flor
uma flor é uma flor e seu cheiro
uma flor é uma flor e sua cor.
uma flor é uma flor...
o que ela me causa,
ai já sou eu.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

tira a maquiagem dormida
de ontem
e o rosto envelhece assim
pouco importa
para quem dorme no sofá
e nem percebe que dormia
para todas nós que estamos
ganhando anos em dias
(isso passa)
não sabe mais como chegou na cama
mas as cinco tira a maquiagem
escova os dentes, bebe água, toma remédio
molha as plantas de novo
e de novo
sem medo de afoga-las
mas não é como recompensa pelo dia anterior sem agua
é só por cuidado
sente o sol nascer mas de olhos fechados
uma mariposa no alto do armário
assustadora e inofensiva
lembra da arrevoada de mariposas
trazida em novembros antigos
Pede educadamente que a mariposa
deixa de ser mancha no seu ármario branco
mas ela não obedece
e ela mata a mariposa
como se sua vida fosse mais importante.
sonhei que chorava
e sonhei outras coisas também.

sábado, 5 de setembro de 2009

Das mulheres.
gosto molhado na boca
de pernas, barriga e seios
cada uma guardava tantos
segredos quanto eu.
Mas de não nos preocuparmos
gozavamos sem espera, sem futuro
com mistério.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

minha mão aplaude a sua.